Patagônia argentina e chilena + Buenos Aires – 3ª parte: de El Chálten à Patagônia chilena: Puerto Natales e Torres del Paine

Olá mundantes!

Iniciamos a série de postagens sobre a Patagônia e Buenos aires com um resumo geral.

Posteriormente, demos seguimento aos posts com nosso diário de bordo. No post anterior, falamos de El Chálten, uma pequena e agradável cidade argentina. Neste contaremos nossa mundança na Patagônia Chilena: Puerto Natales e Torres del Paine.

Vem mundar?! Boa leitura!

05.11.14 (quarta): El Chaltén a El Calafate (apenas parada estratégica antes do Chile)

Abastecemos 1km depois da saída de El Chaltén – não é um posto comum, sim um container da YPF. A gasolina estava a 12 pesos. Voltamos para um pouso estratégico em El Calafate. O caminho é feinho assim:

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Em Calafate, fomos até nossa locadora buscar a permissão para entrar no Chile. Ganhamos um novo mapa e a orientação para, de forma alguma, transitar pela estrada de chão próxima à Taipi Aike – marcada por esse “x” laranja no mapa (que vi no blog “Felipe, o pequeno viajante” que era linda).

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Mapa rota Calafate – Puerto Natales (clique para ampliar)

Partimos em direção ao nosso “hotel”: Cabañas Normanna Inn. Fica na Costanera, distante do centro – importante caso você esteja a pé, mas indiferente de carro.

Os quartos não são quartos. Na verdade, são verdadeiras cabaninhas espalhadas, que possuem sala com TV e aquecedor, conjugada com cozinha (microondas, fogão c/ forno), banheiro e quarto. No nosso havia cama de casal e uma de solteiro. Em outras cabanas acredito até que existam mais quartos, a nossa era a menorzinha.

Eles têm café da manhã cobrado à parte. Optamos por fazer compras no supermercado Anonima, no centro da cidade. Compramos os itens para o café, além de pizza e vinho para jantarmos em casa nessa noite.

Almoçamos no Casimiro Biguá. Pedimos o famoso cordeiro patagônico e um risoto de salmão. Os dois estavam muito bons. Os pãezinhos e molhos servidos no início também eram excelentes e o suco de laranja natural (nos hotéis costumam ser de pó – falar nisso, eles têm mania de pó por lá: café, chocolate etc tudo é misturado na água quente).

Vale o aviso que os restaurantes de Calafate (diferente dos de Chaltén), cobram “cubierto” e este não se refere aos pãezinhos servidos inicialmente. São pelo simples fato de estarem usufruindo do serviço do restaurante, então coma à vontade porque será cobrado de qualquer forma haha. A conta deu por volta de 600 pesos.

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Almoço no Casimiro – risoto de salmão e cordeiro patagônico

Aproveitamos que estávamos no centro para reservar nossos passeios para quando voltássemos à cidade. São 2 empresas que fazem os passeios que queríamos:

  •         Viva patagonia!:

                 o   Quadriciclo

                 o   Kayak

  •         Hielo & Aventura

                o   Minitrekking

A Viva estava fechada e a atendente da Hielo nos recomendou conferir antes a disponibilidade do Kayak para que não tivesse conflito entre as datas. Nos garantiu que seria tranquilo reservar na volta, então seguimos para nossa cabaninha e sua bela vista.

06.11.14 (quinta): El Calafate a Puerto Natales

Como os argentinos nos assustaram a ir pela “estrada bonita”, resolvemos seguir para o país vizinho pela Ruta 40, passando por La Esperanza, Rio Turbio (cidade bem feinha, onde abastecemos) e, finalmente, postos de imigração e Puerto Natales, já no Chile.

O posto de imigração argentino é uma casinha. Quando passamos não tinha ninguém do lado de fora “monitorando”, mas há uma placa de “pare”. Depois de estacionar, mostramos nossa documentação e do veículo (entregue pela locadora) e preenchemos alguns formulários. Após uns 2km, há uma nova “casinha”, dessa vez do Chile. Como lá é a entrada, eles são mais criteriosos, passam a mala por raio x etc.

O blog “Felipe, o pequeno viajante” alerta para não levar comida de um lugar para o outro porque os fiscais são exigentes. Conosco sequer foram ao carro verificar o que levávamos, mas há diversos cartazes pedindo para declarar caso esteja com alimentos, sob pena de multa.

Enfim. Um breve relato sobre a imigração apenas para não ficarem na dúvida de “é só isso mesmo?” como ficamos haha. Lembrem de deixar esses papeis da imigração em local fácil, junto ao passaporte, de preferência. Os hotéis chilenos costumam pedi-los no check in.

De El Calafate a Puerto Natales são 420 km e fizemos em 5h30. A estrada é boa, com muitas retas.

Puerto Natales é uma cidade grande comparada com as argentinas que visitamos e bem sinalizada (adorei a marcação do sentido das ruas e numeração, que ficam em cada esquina. O Brasil poderia adotar!).

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Fomos para o nosso hotel: Kaluve Patagonia, na Miraflores, 986, esq. Zamora. O quarto e o banheiro são bons e meus olhos brilharam ao ver o box! Finalmente me livrei das cortininhas de plástico e ainda fomos presenteados com um puta chuveiro tecnológico: uma ducha alta, outra na nuca, minichuveiros na região das costas, painel eletrônico para regular. Muito interessante.

Mais uma vez temos diversos elogios aos atendentes. O dono do estabelecimento foi o mais simpático de nossa viagem! Super atencioso e empolgado. Ao perguntarmos o horário do café da manhã, respondeu com “A que horas vocês precisam dele?”. Para nós, sensacional.

Dei nota 9,5 porque a estrutura do hotel faz barulho e talvez atrapalhe quem tem sono mais leve. Mas da mesma forma, acredito que seja uma característica da região, talvez por serem de madeira, não sei. O café, assim como nos outros hotéis, é simples, mas suficiente.

Não havíamos programado nada para a cidade, porque achei que fôssemos gastar mais tempo na estrada. Dei uma olhada no TripAdvisor e descobri o Encuentro Gourmet: uma experiência interessante em que, com a ajuda da chef Amandee, faríamos nosso próprio jantar. É preciso fazer reserva, fizemos online umas 3h antes do jantar, marcado para as 19h30, e recebemos a confirmação imediatamente.

A Amandee é francesa, mas fala bem espanhol e inglês. O valor por pessoa foi 50 dólares, ela aceita apenas pesos chilenos ou dólares novos (exigência do banco), não passa cartão.

Tivemos uma espanhola e uma francesa como “colegas de classe”. Fomos recebidos com um drink de boas vindas e o cardápio foi “king crab chupe” como prato principal, acompanhado de uma taça de vinho, e “raspberry küchen” de sobremesa. Depois ela passa as receitas por e-mail, assim você pode fazer em casa, testando se foi um bom aluno.   

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Adoramos a experiência e os pratos estavam sensacionais. Recomendamos muito!

07.11.14 (sexta): Puerto Natales a Torres Del Paine

Às 08h saímos do hotel em direção ao Parque Nacional de Torres Del Paine. A previsão era de um dia nublado, que infelizmente se cumpriu.

Fizemos uma parada em Cerro Castillo para conhecer e lanchar na Cafeteria Ovejero. Os atendentes também são super simpáticos (percebam que fomos super bem tratados na Patagônia), as cadeiras são revestidas com pele de ovelha, indicamos o sanduíche que leva o nome do local. Muito bom. Para levar ao parque, pedimos sanduíches de queijo com presunto.

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A estrada até o parque é ruim, vamos “tremendo” pelas pedras até lá e a viagem tem 76 km. Há vários coelhinhos atravessando, ovelhas e ganacos compondo a paisagem.

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Entramos no parque pela Portaria Laguna Amarga. A entrada custa 10 mil pesos os para visitantes estrangeiros na baixa temporada, só aceitam dinheiro, e vale por 3 dias. Somos bobos e pedimos para carimbarem nosso passaporte haha.

Mesmo com o tempo muito nublado, ventando e, por vezes, até chovendo foi possível perceber a beleza do parque. Há lagos lindíssimos, não dá pra explicar a cor daquelas águas.

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Cruzamos o parque para chegar ao nosso hotel, na portaria sul, chamada Portaria Serrano. No percurso, além dos lagos e miradores, paramos para apreciar Salto Grande (faz uma pequena caminhada), uma cachoeira muito bonita.

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Pouco vento ✌
IMG_5250Estava super empolgada pelo hotel mais caro da viagem, esperando que teríamos dias de ricos haha, mas o hotel não tem nada demais, fora o fato de ser maior do que os anteriores.

Como estava super nublado, o motivo da indicação dele pelo blog “Felipe, o pequeno viajante”, que era a vista, perdeu o sentido. O aquecedor não funcionou bem e, para meu desespero, o banheiro tinha cortininha de plástico! hahah

O clima estava terrível, muita chuva e vento e passamos o resto do dia no hotel. No início da noite, resolvemos jantar no Hotel Rio Serrano, escolhido através das indicações do TripAdvisor. Diziam que mesmo sendo caro, a qualidade da comida valia a pena.

O hotel era muito próximo ao nosso, tem uma brasileira simpática na recepção e é bem bonito. Mas, infelizmente, o jantar não atendeu nossas expectativas. A comida não é ruim, mas também não é excelente para justificar os 40 dólares por pessoa do buffet (pode comer o quanto quiser).

Chegamos à conclusão de que Torres é tão lindo que o preço pago em hotéis e seus respectivos restaurantes (fora eles, não há muitas opções, só vi um dentro do parque) é pela beleza do local, não pela excelência do serviço.

Confesso que o clima interfere muito no meu humor e toda aquela ventania e chuva já estavam me deixando pra baixo. Fui dormir rezando para que acordássemos com um céu limpinho.

08.11.14 (sábado): Torres a El Calafate

Acordei com esperanças de que o fato de o nosso hotel ser grande fosse nos render um café da manhã estilo hotéis nordestinos. Mas, pelo contrário, ele foi inferior até mesmo aos simples patagônicos com que havíamos nos deparado. O hotel estava recebendo uma excursão de adolescentes e acredito que eles deram uma baixa no estoque, sendo oferecidas poucas opções a nós.

Mas, enfim, fomos conhecer o trecho do parque que faltava, em direção ao Rio Grey. Estacionamos o carro e fizemos a pequena trilha em direção ao rio. Avistamos nossos primeiros tempanos (pedaços de icebergs que se desprendem dos glaciares): muita emoção! Lindos e azuizinhos. Foi ótimo avistá-los de longe para nos motivar a prosseguir mesmo com a ventania e o frio enorme na caminhada. No fim, até conseguimos tocar em alguns deles.

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Há uma trilha perto de uma árvore para conseguir avistar ainda mais tempanos. Vale a pena, a caminhada é tranquila e rende uma bela visão.

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Depois disso, demos inicio à nossa volta a El Calafate, prosseguindo em direção à Portaria Laguna Amarga. No caminho, paramos em uma pequena lojinha para comprar alguma lembracinha do parque. A loja estava fechada, mas dava visão para um lago e para as bases das Torres que começavam a aparecer com a saída de algumas nuvens. Me senti tão, tão abençoada que chorei de emoção. Parecia uma criança ganhando doce.

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Saltitando em direção ao céu se abrindo haha

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Depois de diversas fotos, seguimos nosso caminho, cada vez mais felizes ao avistar cada montanhazinha que aparecia na nossa frente e que não tínhamos visto no dia anterior.

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O dia continuava nublado, mas muito melhor que antes, e nos levou a classificar Torres como o lugar mais lindo da viagem, mesmo sem ter visto toda a sua beleza. Motivos para retornar!

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Na volta, paramos novamente em Cerro Castillo para um lanche-almoço (foi quando experimentamos o sanduíche Ovejero).

A imigração para sair do Chile fica bem ao lado da cafeteria. Decidimos voltar pela tão temida (e bonita) Ruta 40 próxima a Taipe Aike, marcada no mapa abaixo com o “x” laranja…ela corresponde à metade da estrada pela qual fomos ao Chile e, com tempo e gasolina de sobra, resolvemos arriscar.

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O posto mais próximo ao parque fica em Puerto Natales. Assim, se resolverem voltar sem passar por lá e sim por essa estrada, é preciso abastecer em Taipe Aike, num local que parece um posto abandonado: só tem uma bomba no meio, uma semi loja de conveniências meio que abandonada e uma casa ao lado. Já tínhamos passado por esse lugar na ida e achado que não estava funcionando. Dessa vez, saiu uma mulher da casa e abastecemos o carro. Cuidado para não ficarem sem gasolina! Não há muitos postos na região e apenas para cruzar o parque são 50km, não dá para ficar “rodando à toa” sem ter abastecido devidamente.

Saímos do “posto”, seguindo reto, chegando à estrada proibida. Como havíamos nos alertado, ela de fato é “puro rupio” = pedra purinha! É preciso dirigir com cautela, então na verdade não se economiza muito tempo indo por ela. Mas economizamos gasolina (ela é metade da outra, asfaltada) e somos contemplados com uma paisagem bonita, com muita natureza, animais da região etc. Sinceramente achamos que, com o devido cuidado, vale a pena conhecê-la sim. Não há palavras pra tantos tons de azul!

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OBS.: pra quem não tem costume em fazenda/roça, vale o alerta de que os bichos quando te veem em vez de correrem para o lado contrário, correm “em direção” a você. Cuidado com isso para evitar acidentes!

Chegamos em Calafate cerca de 4h depois da saída.

Fomos ao centro e reservamos os nossos passeios (OBS.: avisem caso tenham carro para não pagarem à toa por transfer). Reservamos também o jantar no dia seguinte no tradicional restaurante “La Tablita”. Nossas cabaninhas só estariam disponíveis no dia seguinte então fomos em busca de hotel, também na Costanera.

Batemos em vários sem sucesso, mesmo os mais caros. Achamos que por ser final de semana, a cidade estava mais movimentada. Finalmente, encontramos vaga no Koi Aiken por 800 pesos a noite. Esse sim é um hotel que vale a pena pagar mais.

O atendimento é bom, a cama é enorme, o aquecimento funciona, havia balinhas de chocolate nos nossos travesseiros (boba haha) e jantamos muito bem (pagamos 240 pesos no jantar). O café da manhã era igualmente bom, o mais farto que tivemos, com direito a muitas frutas, bolos etc.

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